A MINHA SARDINHA É MAIS BONITA QUE A TUA! SARDINHAS À LA RAFAEL BORDALO PINHEIRO

Rafael Bordalo Pinheiro conseguiu um feito raro: convenceu um país inteiro de que uma sardinha podia ser muito mais do que uma sardinha. Transformou um habitante banal das latas e dos grelhadores, num objeto de decoração, de nostalgia e de alguma vaidade, promovendo-o à categoria de símbolo nacional.

Nas comemorações dos 180 anos do nascimento de Bordalo Pinheiro, a Comunidade Escolar foi desafiada a seguir-lhe o exemplo: criar uma sardinha artística, acompanhada por uma frase de reflexão crítica e/ou humorística sobre a sociedade.


Surgiram sardinhas de todas as espécies, embora, algumas, biologicamente irreconhecíveis: sardinhas filósofas, sardinhas futuristas, sardinhas ecológicas, sardinhas sonhadoras e algumas que pareciam ter escapado diretamente de um encontro improvável entre Bordalo Pinheiro e Salvador Dalí. 

A sátira deu lugar à fantasia; a crítica social encontrou-se com a criatividade mais livre; e a modesta sardinha transformou-se numa ilustração onde cada participante projetou inquietações, humor, desejos e pequenas extravagâncias visuais. Afinal, se Bordalo Pinheiro utilizava a caricatura para revelar os absurdos do seu tempo, os participantes provaram que também os absurdos contemporâneos cabem confortavelmente dentro da silhueta de uma sardinha.


A exposição coletiva que reuniu todos os trabalhos acabou por constituir uma obra artística em si mesma. Suspensas no polivalente, ou sobre um mar negro de plásticos, e envolvidas por uma grande rede de pesca, as centenas de sardinhas pareciam ter sido capturadas não no Atlântico, mas num vasto oceano de imaginação. O efeito da instalação é simultaneamente caótico e harmonioso: uma espécie de cardume artístico onde cada peça mantém a sua individualidade e, ao mesmo tempo, contribui para uma composição artística, surpreendentemente bela.

Talvez Bordalo Pinheiro apreciasse esta ironia final: depois de uma vida a observar e caricaturar a sociedade portuguesa, vê agora a sua sardinha multiplicada por dezenas de jovens criadores que a reinventam sem cerimónia. E assim, entre a sátira, o surrealismo involuntário e a genuína qualidade estética dos trabalhos expostos, ficou provado que uma sardinha continua a ser uma excelente desculpa para pensar, rir e criar.


































Atividade do Departamento de Línguas com a colaboração do Departamento de Expressões Artísticas e artista residente.

Nota de agradecimento: 
A Subcoordenadora de Português manifesta o seu agradecimento, em nome do Agrupamento de Escolas D. Afonso Henriques, ao Grupo Vista Alegre, pela oferta das sardinhas da "Bordallo Pinheiro" às escolas participantes. Este gesto constituiu um importante reconhecimento do trabalho, empenho e dedicação demonstrados pelos alunos, professores e pessoal não docente envolvidos na atividade.












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