QUANDO O RECONHECIMENTO VEM DA FINLÂNDIA

Quando o reconhecimento vem da Finlândia, um dos países de referência mundial na Educação, ganha um significado ainda mais especial. A visita da professora Janna, da Escola Hiukkavaara, em Oulu – uma cidade situada na costa noroeste da Finlândia, banhada pelo Mar Báltico, conhecida também como “a cidade da Educação” – a duas escolas do nosso Agrupamento, no âmbito do programa Erasmus+ (modalidade Job Shadowing), deixou uma marca profunda em todos nós que partilhámos de perto esta iniciativa. 
No blogue da sua escola (ver site abaixo), destacou a qualidade do trabalho desenvolvido na Escola do Alto da Bandeira e na Escola D. Afonso Henriques, revelando particular surpresa com a forma como as Artes, as atividades ligadas à Educação Física, a organização da Biblioteca... a Cultura, ocupam um lugar central no processo educativo. Os trabalhos artísticos dos alunos expostos, os murais, os mosaicos, os projetos colaborativos e a integração da cultura, da história e das tradições locais nas aprendizagens curriculares foram apontados como exemplos inspiradores de uma escola que educa através da criatividade. A professora Janna enalteceu ainda a valorização da diversidade cultural, da inclusão e da sustentabilidade, reconhecendo o Agrupamento como um espaço onde a educação ultrapassa a sala de aula e promove a expressão artística, a identidade cultural e a participação ativa dos alunos.















Texto traduzido pela professora Eugénia Almeida (coordenadora do Projeto Erasmus+):

A nossa professora teve a honra de participar numa mobilidade Erasmus+ Job Shadowing, que lhe permitiu visitar a Escola Básica Alto da Bandeira, em Guimarães, e a Escola Básica D. Afonso Henriques. A Escola Básica Alto da Bandeira situa-se num bonito edifício antigo, na encosta de uma montanha. A vista a partir da escola era deslumbrante e todo o edifício proporcionava um ambiente muito acolhedor. Um dos aspetos mais importantes desta escola era o facto de as crianças poderem contribuir para a criação do seu próprio ambiente de aprendizagem. Por esse motivo, havia uma enorme quantidade de trabalhos artísticos, projetos, murais e materiais pedagógicos elaborados pelos próprios alunos expostos por toda a escola. Além disso, devido às Festas dos Santos Populares, o refeitório encontrava-se decorado com bandeiras da Europa produzidas pelos alunos no âmbito das comemorações do Dia da Europa. A história da escola também estava bem patente na biblioteca, onde uma exposição ilustrava os seus 75 anos de existência através de fotografias e textos. Durante as aulas, o ambiente era tranquilo e organizado. As matérias eram inicialmente estudadas em conjunto, com recurso aos manuais escolares, e posteriormente os conhecimentos adquiridos eram aplicados através de projetos realizados em grupo. Sendo uma escola de pequena dimensão, os projetos eram frequentemente apresentados às restantes turmas e muitos envolviam toda a comunidade escolar. Após a sua conclusão, realizava-se uma sessão de apresentação em que os alunos mostravam os seus trabalhos aos colegas e às famílias. A dimensão reduzida da escola favorecia uma colaboração muito próxima entre todos. Os projetos conjuntos abordavam temas como o desenvolvimento sustentável, a natureza, atividades Maker, a história de Portugal e de Guimarães, a biodiversidade, aniversários comemorativos e as tradições portuguesas. Talvez também na Finlândia se pudesse dar maior destaque às tradições locais, pois nesta escola elas ocupavam um lugar de grande importância. Além da visita guiada às instalações, tivemos oportunidade de assistir às aulas de Educação Física, que decorriam nos campos relvados sintéticos da escola. Embora o edifício fosse antigo, todas as instalações desportivas eram modernas e encontravam-se em excelente estado de conservação. Durante a aula, os alunos começaram por jogar à apanhada e, em seguida, realizaram um jogo em que havia perseguidores e corredores. Os corredores podiam refugiar-se junto de um cone, mas quando outro colega chegava ao mesmo cone, tinham de voltar a correr. Foi uma ideia muito interessante que poderá também ser aplicada na nossa escola, em Hiukkavaara. Após a aula de Educação Física, assistimos a uma sessão de leitura organizada pelas bibliotecárias. Através da dramatização de uma história, ensinaram às crianças as diferentes fases da metamorfose da borboleta. Foi uma atividade muito ternurenta e envolvente. Na aula de Música tornou-se particularmente evidente o caráter bilingue da escola. Embora não existisse um programa oficial de ensino bilingue ou CLIL, as circunstâncias levaram naturalmente à utilização de duas línguas: português e inglês. Tal devia-se ao elevado número de crianças oriundas do estrangeiro que se tinham mudado para Guimarães e que falavam inglês e a sua língua materna, em vez de português. Entre as nacionalidades mais representadas encontravam-se alunos provenientes do Brasil, Nepal, vários países africanos, Hungria, Ucrânia e Rússia. Por esse motivo, durante as aulas os professores alternavam constantemente entre o português e o inglês, traduzindo vocabulário para ambas as línguas. As canções eram interpretadas em inglês, permitindo aos alunos aprender simultaneamente direções, partes do corpo, expressões e novo vocabulário. No final da aula, os alunos participaram num jogo de dança em equipas. Nos intervalos, os alunos passavam o tempo ao ar livre, jogando e brincando. Os professores da escola primária mostraram-se muito satisfeitos com a proibição da utilização de telemóveis nas escolas, implementada pelo Governo português. Segundo eles, ao longo deste primeiro ano sem telemóveis pessoais, as crianças voltaram a comunicar entre si de forma mais espontânea, a jogar jogos com bola e a brincar à apanhada, tal como acontecia antes da era dos smartphones. Na Escola Básica D. Afonso Henriques, tivemos oportunidade de assistir a uma aula de Português, onde observámos como era possível realizar um jogo semelhante ao Kahoot sem recorrer a dispositivos individuais. Assistimos também a uma aula tradicional sobre discurso direto e indireto e ficámos impressionados com a excelente caligrafia dos alunos portugueses. Neste aspeto, os alunos finlandeses ainda têm bastante margem para evoluir. Durante uma aula de Inglês, tivemos a oportunidade de falar aos alunos sobre a Finlândia, responder às suas perguntas e conversar com os estudantes do 8.º ano sobre as diferenças e semelhanças entre a Finlândia e Portugal. Foi uma aula muito agradável e enriquecedora. O tema que mais despertou a curiosidade dos alunos foram as auroras boreais. Também falámos bastante sobre futebol, que, na opinião deles, é o único verdadeiro desporto. E, claro, surgiu rapidamente a clássica pergunta: Ronaldo ou Messi? Para eles, a resposta era evidente: Cristiano Ronaldo, naturalmente. Na aula de Educação Visual realizámos uma atividade baseada na técnica Cadavre Exquis. Em grupos, dobrámos uma folha em quatro partes e cada participante desenhou uma secção sem ver o que o colega anterior tinha feito. O resultado foram ilustrações muito criativas e divertidas. Enquanto desenhávamos, conversámos com os alunos do 6.º ano, que também nos mostraram alguns dos trabalhos realizados ao longo do ano letivo. Entre as diferentes aulas, tivemos igualmente oportunidade de trocar ideias com os professores sobre metodologias pedagógicas, currículos das várias disciplinas e formas de integrar o desenvolvimento sustentável no ensino. Explorámos ainda os materiais utilizados nas aulas, os manuais escolares e os métodos de avaliação, partilhando experiências e boas práticas. Na disciplina de Educação Visual, cada trabalho era sempre alvo de autoavaliação por parte dos alunos e de avaliação pelo professor. Antes de serem arquivados no portefólio individual, todos os trabalhos eram expostos na parede da sala, valorizando o esforço e a criatividade de cada aluno. Durante a visita à escola, conhecemos também os diferentes espaços, incluindo as salas de aula, as instalações desportivas e a biblioteca. Na biblioteca, chamou-nos particularmente a atenção um painel da Mona Lisa, preparado para que os alunos pudessem tirar fotografias divertidas, a organização dos livros por género literário, identificados também através de ilustrações apelativas, e a forma como os trabalhos realizados nos diversos projetos temáticos permaneciam expostos para toda a comunidade escolar. Entre os projetos desenvolvidos encontravam-se temas como o desenvolvimento sustentável, o Dia da Europa, a amizade, a literatura, as tradicionais sardinhas portuguesas e diferentes estilos musicais. As paredes da escola estavam igualmente decoradas com numerosos mosaicos e painéis pintados pelos alunos, incluindo trabalhos sobre as várias fases da produção do linho. No que diz respeito à promoção da diversidade e da inclusão, a escola dedicava anualmente algumas aulas específicas a estes temas, para além de desenvolver diversos projetos colaborativos. Um desses projetos tinha como tema a sardinha, um dos símbolos mais característicos de Portugal. Cada aluno decorava a sua sardinha de forma única, recorrendo, por exemplo, a padrões inspirados na sua cultura de origem. A diversidade cultural era igualmente valorizada através de um conjunto de pequenas casas decorativas, cada uma representando um dos países de origem dos alunos da escola. No total, a comunidade escolar integrava estudantes provenientes de mais de vinte países diferentes. Esta iniciativa inspirou-nos a desenvolver um projeto semelhante no próximo ano letivo, na escola de Hiukkavaara. Durante os dias de aulas, alunos e professores beneficiavam diariamente de uma pausa para almoço com cerca de duas horas, razão pela qual as atividades letivas se prolongavam até mais tarde. Um dos motivos para este horário era garantir que as crianças permanecessem na escola durante um período semelhante ao horário de trabalho dos pais, uma vez que não podiam regressar sozinhas a casa nem permanecer desacompanhadas. Relativamente às refeições escolares, os alunos tinham uma refeição vegetariana por semana, uma refeição de peixe e, nos restantes dias, pratos de carne, geralmente frango ou porco. O almoço escolar custava 1,70 € por aluno e, segundo o diretor, praticamente todas as crianças almoçavam na escola. Os professores, por sua vez, costumavam almoçar num restaurante próximo. Tivemos a oportunidade de os acompanhar e provar uma refeição tipicamente portuguesa, composta por sopa, salada fria de batata acompanhada de peixe, costeleta de porco com arroz e, como sobremesa, leite-creme queimado. Embora a apresentação dos pratos fosse bastante simples, o sabor era verdadeiramente excelente. Ao final da tarde, encontrámo-nos com os professores da nossa escola parceira para um jantar de convívio. Antes disso, participámos numa visita guiada pelo centro histórico de Guimarães, onde ficámos a conhecer melhor a história da cidade. Durante o jantar, conversámos sobre as diferenças e semelhanças entre os sistemas educativos dos nossos países, os respetivos currículos, a educação inclusiva, a diversidade cultural, o desenvolvimento sustentável, bem como os projetos internacionais e as oportunidades de mobilidade para alunos e professores. Aproveitámos também para lançar as bases de futuras iniciativas conjuntas entre as nossas escolas. Além das atividades de Job Shadowing, aproveitámos a estadia em Portugal para visitar também o Porto, Lisboa e Cascais. Como os voos provenientes da Finlândia tinham como destino Lisboa, percorremos grande parte do país até chegarmos a Guimarães. O que mais impressionou a nossa professora foi o caráter pitoresco de Portugal. Regressou igualmente com inúmeras ideias para aplicar nas aulas de Educação Visual e em projetos relacionados com o desenvolvimento sustentável. Guimarães destacou-se, em particular, pelas boas práticas ambientais e pela forte aposta na reciclagem, reutilização de materiais e educação para a sustentabilidade, aspetos que constituíram uma importante fonte de inspiração para o desenvolvimento de futuras atividades na nossa escola.

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